Just A Girl


Eu sou apenas uma garota, qual será meu destino?
O que sou obrigada a fazer me faz ficar entorpecida
Eu sou apenas uma garota, minhas desculpas...
O que me tornei é tão insuportável.
Sou apenas uma garota.
Sorte minha.

- Just a girl, No Doubt.





                Apesar de parecer tão clichê fazer uma fic inspirada em mim e na minha vida, eu não resisti à ideia. Não é que eu queira me expor ou nada do tipo, mas tem algumas coisas que acontecem comigo que dariam pra fazer um filme de drama/comédia/terror/fantasia. Mas de jeito nenhum isso é uma biografia. Ainda não me sinto pronta para falar de muitas coisas, por isso, se algum dia, eu fizer uma biografia, será quando eu estiver nas últimas, já morrendo... Essa história é apenas inspirada em coisas que aconteceram comigo, o restante é inventado por mim. Também não vão pensar que tudo acontece comigo. Kkk.
              A Nielee que vocês verão aqui deverá ser vista como uma personagem semelhante a qualquer uma de minhas outras histórias, por isso, não tenham receio na hora de dizer o que pensam a respeito dela. Eu não vou levar pro lado pessoal, juro. Não sou como aquela gente que vai até o Casos De Família se expor e depois não aguenta a verdade. Portanto se ficar ruim não tenham medo de falar, e se ficar bom, não poupem elogios. Haha. Algumas pessoas que devem aparecer ao longo da fic, não conheço pessoalmente, mas talvez eu faça parecer que sim pra a história não ficar muito limitada.
             Ao contrário de Goodbye My Love prometo que vou escrever esta história até o fim mesmo que seja difícil (por motivos pessoais).
               Eu ia deixar na categoria original e não usar nenhuma imagem, mas sou uma amante de imagens, portanto, eu quebrei a cabeça escolhendo as celebridades favoritas para representar cada personagem. Não foi fácil encontrar famosos idênticos aos personagens (quando eu achava igual era velho ou novo demais), por isso, eu escolhi cada celebridade que tenha um traço em comum (seja na aparência, no estilo ou na personalidade) de cada um dos personagens:

·        Miley Cyrus: Acredite, ela não foi minha primeira opção, cheguei a cogitar Anahí, Demi Lovato e até Felícia Day, mas o cabelo da Miley era mais parecido com o meu na época da Hannah Montana. Se eu escolhi ela só pelo cabelo? Não. Eu gosto da Miley mesmo.
·        Emma Roberts: Em sua versão morena é perfeita para representar a minha amiga Lily.
·        Dylan Sprayberry: Não tem nada a ver com o Julián, escolhemos ele por falta de opção melhor e espero que ele não nos mate, Lily.
·        Zac Efron: Eu acho que o Zac combinaria mais para representar o Danilo, mas o Thiago quase me matou porque queria ser o Zac.
·        Logan Lerman: É claro que não queria ser irmã dele nem de mentirinha (Logan eu quero pra outras coisas ^^), mas alguém precisava representar o lindinho do Danilinho. Quem melhor? Não consegui pensar em ninguém.
·        Karen Gillan: Apesar de já ter representado a Sarah (de Amor Eterno) serve como luva para a Gigi (Giovanna) porque elas são parecidas fisicamente.
·        Lucy Hale: Pela segunda (a primeira foi em Amor Eterno) vez ela vai representar a minha amiga Viick.
·        Sarah Bolger: Eu poderia ter escolhido Lauren, Katy ou Zooey (porque ela se parece com todas, essa sortuda do caramba), mas acho que a Sarah talvez possa representar a minha amiga Ananda, melhor.
·        Sasha Pieterse: Não parece fisicamente com a “Pauline”, mas eu também não queria que parecesse. Essa personagem é real (como todas as outras), mas eu alterei seu nome para que ela não venha reclamar comigo depois, mas a personalidade continua bem a mesma (e que ninguém vá correndo fofocar a ela que estou escrevendo de novo sobre ela, deixe que ela como uma boa stalker que é, descubra sozinha, obrigada).
·        Vera Farmiga: Embora minha esteja mais para uma versão mais velha (sem ofensa, mãe) de Alison Mack, eu gosto mais da Vera, então é Vera.
·        Julianne Moore: Como Celestine Melville, porque a mamãe da Lily não podia ficar de fora, né?
·        Rachel McAdams: Emília Lynn, a tia que eu queria ter.
·        Nicole Kidman: Evangeline Lynn, a mamãe da Gigi.


Hasta el final




Eu tentei lutar contra esse amor com todas as minhas forças e arrancá-la de meu coração.
Eu pedi pra você se afastar, eu pedi... Mas você não me ouviu.
Agora, não adianta se desculpar. O estrago já está feito. Não há como voltar atrás e desfazer o que foi feito.
Sinto muito, mas você não me deixa escolha...
Cortarei o mal pela raiz e então, só então... Estaremos juntas pra sempre.



 |Luka Pov. On:
Meu deus! O que está acontecendo comigo? Por que sinto a insanidade tomando cada parte de meu corpo, dominando-me, guiando-me.
             Eu não sabia como era amar e ao mesmo tempo odiar alguém até sentir isso por você. Isso não me faz bem.               Quando penso que a venci, você surge de repente me mostrando que é mais forte que eu.
            Seus lábios venenosos me atraem com falsas promessas. Eu sei que não posso confiar, mas você parece tão convincente... Maldita. Desgraçada.
              Odeio-te com a mesma intensidade que te amo. Eu quero destruir sua imagem perfeita, assassinar sua lembrança, mas eu não consigo tocá-la, mas eu não consigo te machucar e então eu machuco a mim mesma tentando colar os cacos do que restou desse amor.
              Eu queria que nossa história pudesse ser diferente, que tivesse um final feliz, mas, querida... Sabemos que no fim só há dor e lágrimas. Então por que você ainda insiste em algo que não pode ser? Você gosta de me ver sangrando. Eu sei que sim, não negue, querida. Esse sentimento é recíproco. Somos tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes. Somos uma piada de mau gosto, um crossover que deu errado. E eu sou uma tola por sentir qualquer coisa. Você não se importa. Aposto que ri enquanto lê isso. E por que você ainda lê o que eu escrevo? Eu não gosto que leia, isso me obriga a escrever, porque sei que vai ler. Por favor? Deixe de ler. Esqueça-me e permita que eu a esqueça, porque isso é recíproco. Só vai parar quando as duas decidirem que deve parar, mas você não vai parar, não é? Vai me obrigar a fazer isso mesmo? Eu sinto muito porque eu te amo do fundo do meu coração. Mas isso não é pra ser. Sinto muito.
|Luka Pov. Off.


            Uma semana depois...

               
Miku estava saindo do colégio quando recebeu uma ligação de sua ex. Ela parecia muito mal e implorou para que a outra fosse até sua casa encontra-la. Meio hesitante, Miku foi até lá. Afinal, queria acertar suas diferenças com Luka de uma vez por todas.
          Chegando à casa de Luka, ela tocou a campainha. Luka abriu a porta e a convidou a entrar, oferecendo-lhe um suco. Luka falou muito pouco. Preferiu ouvir as desculpas de Miku... Desculpas, essas, que ela já conhecia de cor.
             Miku foi sincera e extravasou seus sentimentos na esperança de que Luka a compreendesse e quem sabe a perdoasse. Luka lhe pareceu distante e fria. Parecia que as palavras de Miku entravam-lhe por um ouvido e saiam por outro. Miku se irritou, mas antes que pudesse exigir que a outra fosse mais sensível foi tomada por um súbito mal estar e desmaiou. Luka observou Miku caída no sofá como uma boneca. Inexpressiva.


[...]


                  Luka beija os lábios de Miku, mesmo estes estando cobertos por uma fita isolante, com lágrimas escorrendo por sua face. Miku tenta em vão dizer alguma coisa enquanto se contorce, tentando livrar-se das cordas que a prendem. Luka a encara e sorri de forma insana. Aproxima a lâmina da faca no pescoço da outra e corta-lhe a garganta. Enquanto agoniza, Miku vê a outra lambendo a lâmina da faca. Depois que Miku morre, Luka tira a fita isolante de seus lábios e a desamarra. Então, se aproxima do criado-mudo e pega a cartela de comprimidos e o copo com água. Engole um por um os comprimidos, sem pressa. Depois pega a faca e aproxima de sua barriga. Ela não queria fazer aquilo, mas já havia ido longe demais para parar, já havia matado a pessoa quem ela mais amava e ao mesmo tempo mais odiava no mundo. Um golpe rápido e forte... Doeu menos que seu coração partido. Ela precisava matar aquele amor de uma vez por todas, precisava deixar de sofrer e aquela era a única forma que ela encontrara. Deixaria pouca coisa pra trás... Sua coleção de bonecas e livros, sonhos frustrados e falsos amigos que nunca a entenderam de fato.
             Ela se arrastou até a cama e deitou-se ao lado de sua Miku. Apertou a mão dela e fitou seu rosto tão belo. Ela tentara ser forte... Tentara mesmo, mas até a mais forte das heroínas pode sucumbir à dor do amor impossível, e hoje ela fazia justamente o que implorara tantas vezes para Miku não fazer, com a diferença de que a estava levando junto, arrastando-a para o buraco negro e frio, o qual ela conhecia bem. As duas finalmente estariam juntas pra sempre sem que nada nem ninguém pudessem separá-las ou julgá-las. Como dizem, no final, o amor sempre triunfa.

https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-vocaloid-hasta-el-final-5789543 

Bloody Mary

  No fim da tarde de sexta-feira, após as aulas, quando cheguei em casa, cumprimentei minha avó. Deixei meu material escolar em meu quarto e fui direto para o banheiro tomar um banho. Após o meu banho, vesti um belo vestido azul florido e fui para a casa da minha prima Francielly, para passarmos o final de semana juntas, como de costume.
   Naquela noite, à meia-noite, passaria o meu seriado preferido, o Sobrenatural. Eu não podia perder um capítulo! Então, insisti para que minha tia me deixasse assistir o seriado. Minha tia - uma mulher séria e responsável, seguia toda uma rotina, dormia às nove e acordava às seis, almoçava ao meio-dia em ponto, e tinha hora para tudo - Não gostou muito da ideia, mas como ela sabia que eu amava filmes de terror e já estava acostumada a dormir tarde (mesmo eu sendo tão nova, devia ter uns 12 ou 13 anos), acabou permitindo que eu visse o seriado. Entretanto, como forma de punição ou para garantir que minha prima não se sentiria tentada a assistir o seriado comigo, minha tia impôs uma condição, minha prima dormiria com ela em seu quarto, e eu dormiria sozinha no quarto da minha prima. Não tive escolha senão, concordar.
    À meia-noite, todos já estavam dormindo e as luzes estavam todas apagadas, exceto a do banheiro que amanhecia sempre acesa. Eu estava sozinha na sala assistindo ao espisódio "Bloody Mary", de Sobrenatural. Até então, eu não conhecia a lenda de Bloody Mary e morri de medo. Quando o seriado finalmente terminou, eu desliguei a tv e fui para o banheiro fazer xixi, tentando não encarar nada que me permitisse observar meu reflexo porque temia ver a Bloody Mary. O problema é que o banheiro tinha três espelhos (um acima da pia, outro de corpo inteiro ao lado da pia e outro também de corpo inteiro de frente para o vaso sanitário), além de duas portas (uma dava direto para o quarto de Francielly e a outra para o corredor que leva à sala e aos outros cômodos da casa).
    Depois que fiz xixi, dei descarga no vaso e de cabeça baixa, me aproximei da pia e lavei as mãos. Aquele nome não saia mais da minha cabeça e ficava ecoando sem parar : "Bloody Mary, Bloody Mary, Bloody Mary..."
 Apaguei a luz do banheiro e nesse momento, senti que eu não estava sozinha, que alguém me observava das sombras... Fui correndo para o quarto da minha prima e me escondi embaixo do cobertor.
   Na manhã seguinte, contei a minha prima como tinha sido o episódio. Eu sempre os episódios a ela, já que ela não podia assistir a série por ser mais três anos mais jovem que eu.  Mais tarde, a convenci a pesquisar na internet sobre Bloody Mary para confirmar se a lenda realmente existia. De fato, havia mesmo uma lenda assustadora que falava sobre uma garota chamada Mary que estava prestes a se casar e ao ser traída por seu noivo e sua melhor amiga, se suicidou no dia de seu casamento, vestida de noiva, em frente ao espelho. Seu espírito ficou preso ao espelho e desde então, ela aparece para quem ousar dizer: "Bloody Mary" três vezes em frente a um espelho. Minha prima e eu morremos de medo!
  À tarde, os pais de minha prima saíram e nós duas ficamos sozinhas. Decidi bancar a corajosa e desafiar Bloody Mary. Minha prima não gostou da ideia. Tinha medo que eu pudesse atrair um espírito do mal. Para acalmá-la, eu lembrei-a de que a única forma de derrotar Bloody Mary era fazer com que ela visse seu próprio reflexo. Dessa forma, o feitiço viraria contra o feiticeiro e Bloody Mary se mataria. Com base nessa informação, guardamos pequenos espelhos em nossos bolsos. Entrei sozinha no banheiro e minha prima ficou me esperando no corredor.
   Diante do espelho, eu disse:
- Bloody Mary.
 Minha prima tentou me convencer a não prosseguir, a parar com aquela besteira antes que libertássemos algo ruim. Eu a ignorei e disse aquelas palavras novamente:
- Bloody Mary.
 Quase chorando, minha prima me chamou de louca. E eu era porque mesmo estando com medo, me divertia com o desespero dela e isso me impulsionava a ir em frente.
- Bloody Mary. - Eu disse pela terceira vez. E um vento frio me envolveu.
    Ouvi a porta da sala se fechar com uma forte batida e minha prima gritar.
  Decidi sair do banheiro para ver o que estava acontecendo, mas não consegui porque a porta do banheiro estava trancada na chave.
   Minha prima batia na porta, desesperada. E implorava para que eu a deixasse entrar.
Tentei abrir a outra porta do banheiro que dava para o quarto dela, mas esta também estava fechada.
Desesperada, disse a minha prima que não conseguia abrir as portas e que elas estavam fechadas. Minha prima disse que aquilo não tinha graça e pediu para que eu destrancasse as portas. Nervosa, eu a acusei de estar fazendo aquilo. Ela jurou que não tinha nada haver com aquilo. Nesse instante, ouvi alguma coisa caindo atrás de mim e me virei. Sem querer, olhei para o espelho e a vi... Com um grito, me afastei o máximo que podia, me espremendo contra a porta. Tamanho havia sido o meu susto!
   A desgraçada estava parada em frente a porta. Rindo alto e sem parar, enquanto balançava o molho de chaves.
- Ah, Francielly! Eu te pego! - Disse furiosa e sai correndo atrás daquela pestinha.©

Lili

        Sabrina abriu os olhos e encarou o telhado pensativa. Tivera outra noite mal dormida. Assombrada por pesadelos tão horríveis que a faziam ficar acordada o máximo possível, a fim de evitar aqueles momentos angustiantes em que ela estava perdida em um lugar frio, cinzento e povoado por seres perversos que a faziam sofrer... Ela chorava... Gritava... Suplicava para que eles a deixassem em paz, mas eles se divertiam com o medo dela.
      A única pessoa que podia ajudá-la, fingia não saber de nada. Mas ela sabia o que acontecia. Sabia o quão mal eles faziam a pobre menina quando a olhava nos olhos todas as manhãs enquanto servia o café. Algumas marcas deixadas em seu frágil corpo eram bem evidentes. Mas, "ela" ignorava. Sabrina a odiava por isso. Aquela maldita insensível era sua mãe, mas isso não fazia a menor diferença... Não para aquela mulher fria e distante. Ela nunca se importara de fato com sua filhinha. Sempre era a última mãe a aparecer na escola para buscá-la e nunca perguntara a ela se ela tivera um bom dia. Nunca lhe dera um beijo de boa-noite. A única coisa que fizera por ela fora lhe dar uma velha boneca de pano, que ela comprara em uma feira de garagem a preço de banana.
      Aquela velha boneca era a única amiga de Sabrina. E, mesmo quando esta completou treze anos continuou agarrada à sua boneca, a qual ela chamava de Lili.
  Todas as tardes, depois do almoço, Sabrina ia para a floresta com Lili. Ela gostava de subir bem alto em uma árvore que ela chamava de sua e lá, ela passava horas conversando e rindo com Lili. Isso pareceria triste se Lili não ganhasse vida... Sabrina a via como uma garota idêntica a ela mesma, mas em uma versão mais sombria de si mesma. Enquanto Sabrina era triste e melancólica, Lili era debochada, vingativa e sarcástica. Vivia enchendo a cabecinha de Sabrina com coisas diabólicas.
- Você tem de matá-los. Sabrina, eles não se importam com você. Nunca se importaram e nunca se importarão. Você sabe disso. Então, por que não me ouve? - Disse Lili.
- Eu tenho medo... - Falou Sabrina.
- Não precisa ter medo. Eu sempre estarei com você. Acredite em mim. - Falou Lili.
"Não acredite nela. Ela está mentindo".  - Uma voz familiar a Sabrina, disse em sua cabeça, e era essa mesma voz que sempre convencia Sabrina a não seguir os conselhos de Lili.

      Mas, uma vez, Sabrina se atrasou para o jantar. Ficara horas brincando com Lili e não percebera o tempo passar. Claro que aqueles monstros que assombravam seus pesadelos não deixariam aquilo passar em branco. O pai a pegou pelo braço com força, já gritando:
- Aonde você estava? Isso são horas de voltar para a casa? Você nunca aprende não é?
- Ela é uma ingrata mesmo, pai. O senhor dá duro a tarde inteira para manter essa família enquanto ela sequer lava um prato. Essa idiota merece uma sova! - O irmão mais velho, como sempre, colocava mais lenha à fogueira.
O pai tirou o cinto da cintura e ali mesmo deu uma surra na pobre garota.
A pobrezinha gritava, dizendo que não fizera por mal. Que aquilo não se repetiria mais e que ela sentia muito, mas não era o bastante. O pai continuava a espancá-la. E seu irmão ria alto e zombava dela.
  A mãe assistia a cena, com lágrimas escorrendo por sua face pálida e estremecida. Sem poder fazer nada. Ela torcia para que aquilo terminasse logo e culpava-se por ter deixado a menina sair de casa.
- Por favor, papai? Eu prometo que nunca mais vou me atrasar. - Ela disse, chorando.
  Mas a surra só terminou quando o braço do pai começou a doer.
- Vá para seu quarto! - Ele gritou furioso. - Essa noite, você vai dormir sem jantar para aprender a chegar na hora certa.
  Sabrina se levantou do chão e foi para o quarto, correndo.
Seu corpo estava todo marcado e dolorido. A garota teve de dormir de bruços para sentir menos dor. Durante a madrugada, sua mãe entrou em seu quarto e lhe esfregou uma pomada em seus ferimentos. Depois, sem dizer uma só palavra lhe entregou um prato de comida e saiu do quarto. Sabrina comeu e escondeu o prato embaixo da cama. Depois, voltou a dormir. Teve pesadelos terríveis... Os mesmos monstros que lhe faziam mal enquanto estava acordada, lhe machucavam nos sonhos. Mas ela não podia fazer nada... Eles eram mais fortes que ela.
  Sabrina continuava encarando o telhado, imaginando como seria se sua vida fosse diferente. Se ela fosse amada e querida por sua família.
- Você sabe o que fazer. - Lili sussurrou em seu ouvido.
"Perdoe eles". - Disse a voz em sua cabeça.
- Eles odeiam você, Sabrina. Você deve odiá-los também. - Falou Lili.
"Perdoe eles". - A voz disse novamente.
- Não perdoe eles. Eles não merecem o seu perdão. - Falou Lili.
   Sabrina levantou-se. Saiu de seu quarto e foi até à cozinha. Abriu o armário embaixo da pia. Pegou o veneno de rato e o jogou nas panelas que estavam ao fogo. Depois guardou o pote quase vazio no lugar e voltou para seu quarto. Deitou-se em sua cama, ao lado de Lili.
- Estou orgulhosa de você. - Disse Lili sorrindo e acariciou o rosto dela.
"Perdoe eles... Ainda há tempo para se arrepender". - Disse a voz em sua cabeça.
- Não escute ele. - Disse Lili. - Ele nunca se importou com você. Já eu me importo muito com você, minha criança. - Lili abraçou Sabrina.- Ele nunca se importou com o que eles faziam a você. Nunca.
"Não é verdade. Eu sempre estive ao seu lado". - Disse a voz a Sabrina.
- E o que ele fez por você? - Perguntou Lili.
- E o que você fez por mim? - Sabrina perguntou a voz em sua cabeça.
A voz não respondeu.
- Confie em mim, Sabrina. Depois disso, seremos apenas nós duas. Como você sempre quis.
- Você jura? - Sabrina perguntou chorando.
Lili sorriu.
- Nós vamos brincar no meu jardim das sombras, junto às outras crianças. Você vai adorar. Vamos nos divertir muito. - Falou a boneca.
Sabrina sorriu, enxugando suas lágrimas no lençol.

***

       Não demorou muito e sua mãe bateu na porta de seu quarto, avisando que o almoço estava pronto.
  Sabrina não respondeu e a mãe insistiu.
- Deixe a fedelha para lá. Se ela não quiser comer é melhor. Assim, sobra mais. - Gritou o pai.
- Serve logo esse rango. Eu estou morto de fome, mãe. - Disse o filho mais velho.
  A mãe suspirou e foi servir o almoço.

***

       Quando Sabrina despertou, apanhou Lili e saiu de seu quarto. Cantarolando feliz da vida. Passou pela cozinha. Seus pais e seu irmão agonizavam como ratos.
Sabrina olhou para eles sorrindo e depois foi para a floresta. Enfim, ela estava livre e poderia brincar com Lili para sempre na floresta. Seriam apenas as duas.

   Um anjo observou com tristeza, Sabrina partir. Ele a perdera para as trevas.
     O anjo suspirou e apareceu no quarto da menina. Olhou para seu corpo sobre a cama, coberto de sangue.
    Por que ela cortara os pulsos quando ele implorara para ela não fazer isso? Por que ela seguira Lili, aquele maldito anjo caído, aquela maldita serpente que tentara Eva no Paraíso? Ele só podia lamentar, pois havia falhado como anjo da guarda. E Sabrina seguira Lili para o Inferno.
-Pobre criança! - Ele disse.
©

Copyright ©2014, Daniele Araujo

Vozes do além


  Você ouve vozes? Se ouve, alguma vez, já se perguntou a quem pertence essa misteriosa vozinha que fala em sua cabeça? Seria um anjo ou um demônio? Seria apenas a sua imaginação ou algum espírito do além tentando se comunicar com você?

  Emily estava tentando se concentrar e estudar para a prova de história que teria de fazer na manhã seguinte, mas aquelas malditas vozes não paravam de lhe atormentar. Gritando sem parar em sua cabeça. Eram muitas vozes... De mulheres, de homens e crianças. Todos falavam ao mesmo. Imploravam por todo o tipo de ajuda.
- Por favor? Me dê água. Eu tenho sede.
- Estou com muito frio.
- Tenho medo do escuro.
- Me ajude?
    Atormentada, Emily jogou o livro de história contra a parede. Deitou-se tapou os ouvidos com o travesseiro.
- Calem a boca! - Ela gritou.
- As vozes te incomodam Emily?
Emily sentou-se na cama assustada e olhou para os lados. A porta do quarto estava fechada. Emily morava apenas com sua mãe e ela trabalhava a tarde toda. Emily ficava na companhia de seu gato Tadeu. Um gatinho branco que ela encontrara na rua e adotara.
- Tadeu? - Chamou Emily e debruçou-se sobre a cama, olhando para baixo dela. Tadeu dormia tranquilamente. - Vem cá gatinho? Vem?
Tadeu abriu os olhos. Se espreguiçou e foi ao encontro de sua dona.
A garota o pegou e sentou-se na cama, com ele nos braços.
- Pobrezinho de você. A sua dona é uma maluca! - Ela riu da própria piada. Então, levantou-se. Foi até à cozinha. Apanhou uma tigela. Abriu a geladeira e pegou a caixa de leite. Despejou um pouco de leite na tigela e a deu a Tadeu.
- Beba tudo, hein? - Disse Emily antes de soltar o gatinho no chão.
  A garota já estava se virando para voltar para o quarto quando ouviu aquela voz:
- Eu sei como parar as vozes, Emily.
Ela sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Mesmo com medo, ela decidiu encarar aquela "voz".
- Como? - Perguntou Emily ainda de costas para Tadeu, que bebia seu leite avidamente.
- Sangue se paga com sangue...
- O que você quer dizer com isso? - Perguntou Emily confusa.
- Dê a eles o que eles querem.
- E o que eles querem?- Perguntou Emily.
- Sangue se paga com sangue.
- O que eles querem? - Emily perguntou novamente, mas não ninguém respondeu.
Emily foi para seu quarto e voltou a estudar  para prova.
À noite, Emily estava jogando Alice Madness Return quando ouviu um barulho de algo caindo. Ela olhou para o corredor e viu um vulto branco passando no corredor.
- É apenas a minha imaginação. - Ela repetiu a si mesma e voltou a jogar.
A luz da cozinha se acendeu.
- Mãe? É você? - Perguntou Emily deixando o controle do vídeo game de lado e levantando-se.
Ela ouviu barulhos vindos da cozinha. Pratos se quebrando. E decidiu ir ver o que estava acontecendo.
Ela caminhou devagar pelo corredor. E a cada passo, sentia que não deveria prosseguir porque algo ruim a esperava. Mas Emily sempre corajosa ou teimosa. Desde pequena, ela encarava seus medos de frente. Se pensava ter um monstro escondido no armário, ela se levantava. Acendia a luz e abria o armário. Isso a fazia entender que as coisas que via ou ouvia não eram reais. Que eram apenas um produto da sua imaginação e, confrontá-las, as fazia perderem a força. "Quando não se acredita em monstros, não se tem medo do escuro". Era sua frase preferida. Mas ela não imaginava que certas coisas são reais...
  Quando chegou na cozinha, Emily viu que estava uma completa bagunça. A geladeira estava aberta e toda revirada, com alguns alimentos jogados no chão. As louças estavam quebradas e seus cacos espalhados no chão. As portas dos armários estavam escancaradas. E a torneira derramando água.
- O que é isso? - Perguntou Emily observando a bagunça espantada. - O que aconteceu aqui? - Emily foi até a pia e fechou a torneira.
   Houve uma batida na janela de vidro. Emily saltou para trás, assustada.
No vidro da janela apareceu uma marca de mão manchada de sangue.
- Me ajude? - As vozes voltaram a gritar em sua cabeça.
- Eu estou com tanto frio.
- Tenho medo do escuro.
- Eu estou com fome.
- Parem com isso! Parem com isso! - Repetiu Emily tapando os ouvidos.
- Eu sei como parar as vozes, Emily.
- Como eu faço para elas pararem? - Gritou Emily ainda atormentada pelas milhares de vozes que falavam em sua cabeça insistentemente.
- Você só precisa fazer o que eu disser.
- Tudo bem. O que eu tenho de fazer?
   Após ouvir aquela voz sinistra, Emily se aproximou da mesa. Apanhou uma faca do faqueiro e foi até o quarto de sua mãe e a esfaqueou. Depois de matar sua mãe, ela foi para seu quarto. Deitou-se em sua cama e ficou encarando o teto sem nenhuma expressão em sua face.
   Dias depois, as pessoas mais próximas à família Donovan, estranharam o fato de Emily não ter mais aparecido na escola. A senhora Inna (mãe de Emily) ter faltado vários dias no trabalho. E ninguém na casa ter saído para fora. Os vizinhos e os parentes foram até à casa várias vezes e telefonaram, mas ninguém respondeu.
   Ian Donovan, irmão de Inna foi até à casa de sua irmã e arrombou a porta. Logo que entrou na casa, ele sentiu um cheiro podre. Toda a casa estava revirada. O gato de estimação da família estava morto em um canto. Alguém arrancara suas tripas depois de cortar sua garganta.
- Céus! - Exclamou Ian. - Inna? Emily? Tem alguém em casa? - Ele foi até o quarto de sua irmã e a encontrou morta na cama. Aterrorizado, ele levou alguns minutos para se recompor do susto. Tirou o celular do bolso e ligou para a polícia. Depois foi até o quarto de Emily. Apesar de não ter esperanças de encontrar sua sobrinha viva. O quarto estava escuro. Ele tateou a mão pela parede à procura do interruptor. E quando acendeu a luz, viu Emilly sentada em um canto. Ela também estava morta. Seu corpo já estava em um estado avançado de decomposição. Ao lado da garota havia um bilhete. Ian pegou o bilhete e o leu. O bilhete dizia:
"Ele disse que se eu matasse a mamãe, as vozes iriam parar. Eu não aguentava mais as vozes. Elas me atormentavam o tempo todo. Eram muitas e gritavam dia e noite em minha cabeça. Eu só queria que elas parassem... Por isso, eu matei a mamãe. Mas ele mentiu para mim. E as vozes ficaram mais intensas. Eu não posso suportar mais isso. Eu sinto muito por ter matado a mamãe. Eu sinto muito".
  Emily cometera suicídio, cortando os pulsos.
Ian caiu de joelhos no chão. Chorando.
De repente, ele ouviu passos apressados no corredor. Ele virou-se para trás e viu um vulto.
- Quem está aí? - Ele perguntou.
A luz começou a piscar. Ele olhou para a lâmpada e ela queimou-se. A porta do quarto fechou-se com uma batida e Ian sentiu uma mão agarrar seu braço. Muito assustado, ele gritou. Mas ninguém poderia ouvi-lo... E mesmo que o tivessem ouvido, ninguém poderia salvá-lo.
  Para colecionar almas, o mal se vale de várias artimanhas.
O que as vozes tem falado a você? Cuidado, pode ser um demônio cobiçando sua alma.©

 Copyright © 2014 por Giovanna Lynn.

Amaya Tanaka


Amaya Tanaka seria o espírito de uma garota de 12 anos que, segundo a lenda apareceria a quem fosse até a uma escada às três da tarde ou às três da manhã, batesse palmas três vezes e chamasse por seu nome. A garota então arrancaria a língua da pessoa.

   Conta a lenda que Amaya, quando pequena, era uma garotinha linda e radiante. Vivia correndo, rindo e brincando por toda parte. Sua mãe, Miya era uma mulher mentalmente perturbada que cuidava sozinha de uma criança tão meiga. Mas como esperar que uma pessoa incapaz de cuidar de si mesma, cuide de uma criança? Ninguém sabia muito sobre Miya Tanaka. Apenas que ela era esquisita. Falava muito pouco e amava o silêncio mais que tudo. Isso a levava a ter crises nervosas, às vezes, quando sua filha fazia muita bagunça. Irritada, Miya se trancava no quarto e ficava parada em um canto. Encarando o nada. Apenas apreciando o silêncio. Depois, quando se sentia mais calma, ela saía de seu quarto e voltava aos seus afazeres domésticos. Muitas vezes, Amaya fora trancada no escuro porão por falar demais... Por correr pela casa ou mesmo por cantarolar. Qualquer som, por menor que fosse, irritava em muito sua mãe, que se tornava muito agressiva agressiva. Um dia, Amaya voltou da escola muito contente e foi falar com sua mãe. Contar-lhe que tirara boas notas na escola. Mas Miya, como sempre, não se mostrou nem um pouco interessada.
- Outra hora conversamos sobre isso, querida. Minha cabeça está doendo. - Disse a mãe.
  Mas, a garotinha estava tão empolgada que continuou falando.
- Pare de falar, Amaya! Pare de falar! - Disse Miya tapando os ouvidos. Nervosa.
- A professora disse que eu sou a melhor aluna da classe. - Falou Amaya.
- Já chega! - Gritou Miya e em um surto psicótico, agarrou sua filha pelos cabelos e a arrastou para o quarto.
- Não! Mamãe, por favor? Pare! Pare! Por favor? - Gritava a menina chorando.
- Cale a boca! Cale a boca! - Disse a mulher e empurrou a menina para longe e trancou a porta do quarto. - Por que você não pode calar sua maldita boca quando eu peço a você? É tão difícil ficar quieta? Será que você não entende que o silêncio é a melhor coisa desse mundo?
- Me desculpe? Eu só queria que ficasse orgulhosa de mim. - Disse Amaya.
- Quer que eu fique orgulhosa de você? Então, cale essa maldita boca. - Disse Miya e foi até a cômoda e revirou a primeira gaveta.
  Amaya observou calada, sua mãe apanhar uma tesoura e caminhar em sua direção, enquanto dizia:
- Eu vou cortar a sua língua para que você nunca mais fale. Assim, você será a filha perfeita. Minha querida.
- Não. Mamãe, por favor? - Disse Amaya chorando e se arrastou para debaixo da cama.
Sua mãe agarrou seu tornozelo e a puxou. Amaya agarrou as grades da cama, mas isso não o suficiente para impedir que sua mãe a tirasse dali.
  Miya subiu em cima de Amaya.
Desesperada, a menina se debatia. Tentando escapar de sua mãe que a imobilizava e exibia um sorriso insano no rosto.
 A menina lutou para se libertar, mas tinha apenas sete anos. Não tinha força o bastante para defender-se.
Miya cortou a língua da garota e a comeu na frente dela, enquanto ela agonizava.
  Um casal que morava ao lado teria ouvido os gritos da menina e entrado na casa para ver o que estava acontecendo. Eles também teriam presenciado, horrorizados, Miya comer a língua da filha.
   Miya foi internada em um hospício e a pequena Amaya foi para um orfanato. As outras crianças zombavam dela por ela ser muda e sempre faziam piadinhas sem graças a seu respeito. Amaya só sentia em paz quando todas as outras crianças já estavam dormindo. Ela levantava-se e sentava em frente à janela, onde podia observar a lua e as estrelas. Ah, aquele silêncio era divino! Agora, ela entendia porque sua mãe amava o silêncio mais que tudo.

  Um dia, as crianças se juntaram para zombar de Amaya mais uma vez. A pobre menina estava subindo as escadas quando dois alunos se meteram na frente dela e tentaram tirar seus livros dela. Amaya não estava disposta a deixar aqueles garotos encrenqueiros levarem seus livros para os jogarem na privada, como fizeram da última vez. E lutou com eles, puxando os livros.
- Solta isso mudinha! - Disse um dos garotos bravos.
   Amaya balançou a cabeça, num gesto negativo e continuou puxando os livros, tentando pegá-los de volta das mãos de um dos meninos.
- Além de muda, será que você é surda? - Disse o primeiro garoto e a empurrou.
  Amaya se desequilibrou e caiu, rolando escada abaixo.

   Todos disseram que a morte de Amaya foi acidental e após algum tempo, as crianças e os adultos se esqueceram dela. Mas ela não se esqueceu deles e voltou para ter sua vingança.
   O menino que a empurra da escada, foi encontrado morto. Aparentemente, ele caíra da escada, mas quando olharam mais de perto, havia muito sangue escorrendo de sua boca. Alguém removera sua língua.
O outro garoto que estava junto ao que empurrara Amaya da escada, também foi assassinado. Encontraram seu corpo no banheiro. Ele estava com a cabeça no sanitário. O afogaram e também cortaram sua língua.
  Uma a uma, as crianças do orfanato foram morrendo... Mesmo as que posteriormente foram adotadas e conseguiram sair do orfanato. Era como se o mal perseguisse todas as crianças daquele orfanato, que após tantos incidentes bárbaros foi fechado e abandonado.
   Hoje, ele é apenas um prédio velho no meio do nada, em uma cidadezinha japonesa, mas os velhos habitantes da redondeza afirmam que se você passar ali por perto ou melhor, se atrever a entrar no velho orfanato Coração Carente (貧しい心), se aproximar da escada e bater palmas três vezes, enquanto chama o nome de Amaya, ela aparecerá e te matará.

Ao longo dos anos, a lenda sofreu alterações e surgiram algumas variantes. Uma diz que para invocar Amaya não precisa ir até o orfanato. Basta estar em uma casa com escada e em um momento de repleto silêncio, bater palmas três vezes enquanto chama o nome de Amaya.©

E aí quem se atreve?

As guardiãs da gruta

  Houve uma época em que as pessoas diferentes eram afastadas de seus vilarejos. Segundo a lenda, as crianças desobedientes, os velhos, os doentes e os deficientes ou qualquer outra pessoa diferente era levada para a Floresta Do Diabo, mais conhecida como a Floresta Silenciosa. Ela é conhecida assim porque raramente se ouve um pássaro cantar.  Cercada por muitas árvores, quase não se vê o céu. E a floresta é escura e fria. É fácil se perder na Floresta do diabo.   Duas irmãs especiais foram deixadas na floresta por sua mãe. Uma das garotas era muda e a outra surda. Mesmo uma sendo surda e a outra muda, elas se entendiam muito bem. A garota surda chamava-se Glória e, mesmo, sendo surda, nascera com uma voz linda. A garota muda chamava-se Vitória. As duas passavam muito tempo juntas e, Vitória se maravilhava com as canções que sua irmã cantava.   A mãe das meninas nunca entendeu como a filha surda podia compor sozinha canções tão belas. Mas se sentia maravilhada e abençoada por suas filhas serem lindas, dóceis e compreensíveis.   As coisas não eram nada fáceis naquela época e, as garotas tinham de trabalhar para ajudar a mãe. Glória fazia pães e Lurdes, a mãe das garotas ia vender os pães na cidade. Vitória era costureira.    Um dia, Lurdes pegou uma doença incurável. Uma peste que estava matando muitas pessoas. E, se preocupou com o que pudesse acontecer às suas filhas, depois de sua morte. Como elas se virariam sem a mãe se ela as protegera de todo o mundo e nunca as deixara explorar o mundo afora? Depois de muito pensar, ela preparou uma cesta e convidou as garotas para um piquenique na floresta. Quando chegaram à floresta, próximas a uma gruta, elas fizeram o piquenique, mas não imaginavam que as maçãs que comeram foram mergulhadas em um veneno mortal, por sua mãe. As inocentes moças morreram envenenadas. Sua mãe arrastou seus coros para dentro da gruta. E, depois se enforcou em uma árvore.    Anos se passaram, mas pessoas que se perderam na Floresta do diabo, contam que, ao passarem por uma gruta, ouviram uma linda canção, que parecia atraí-los para dentro da gruta. A canção era tão linda que parecia hipnotizar. Algumas pessoas se atreveram a entrar na gruta para encontrar a dona daquela voz e simplesmente desapareceram. Outras pessoas dizem que viram duas garotas estranhas paradas na entrada da gruta. Uma delas cantava enquanto a outra observava, encantada. Se a pessoa se atrevesse a falar com elas, a garota que estava ouvindo a canção, olhava para a pessoa e fazia sinal para que ela ficasse quieta. Se a pessoa voltasse a perturbar as moças por mais duas vezes, na terceira vez, a garota muda se levantava e caminhava em direção a pessoa e lhe oferecia uma maçã. Se a pessoa comesse a maçã, morreria. E se recusasse a mesma, a garota a mataria com suas próprias mãos. O único jeito de escapar seria guardando a maçã e indo embora em silêncio. A pessoa não poderia dizer uma única palavra antes de sair da floresta. Caso o silêncio fosse quebrado, as duas irmãs apareceriam em frente a pessoa e o matariam.     Um guarda florestal encontrou um homem perdido e lhe perguntou como ele havia se perdido e se estava sozinho. O homem não respondeu nada. E durante todo o caminho ficou em absoluto silêncio, se comunicando apenas através de sinais e gestos. O guarda acreditou que o homem fosse mudo, mas se surpreendeu quando eles saíram da floresta e o homem começou a falar. O guarda perguntou ao homem porque ele só falara agora e o homem contou que havia encontrado duas moças na entrada da gruta. Ele já conhecia a lenda das irmãs Glória e Vitória, as guardiãs da gruta, por isso, aceitou a maçã e não disse nada até agora. O guarda só acreditou na história quando o homem lhe mostrou uma maçã, tão vermelha e madura quanto o sangue.   Tem pessoas que gostam de deixar maçãs na entrada da gruta, em homenagem às garotas. O que eu considero macabro já que elas morreram justamente ao comerem maçãs envenenadas. De qualquer forma, elas aceitam o presente. E não fazem mal a quem passa em silêncio em frente à sua gruta. Uma outra versão da lenda, diz que elas ajudam pessoas que se perdem na floresta a encontrar o caminho de volta. Mas a pessoa tem de permanecer em silêncio o tempo todo. Caso contrário, elas desaparecem. Deixando a pessoa, entregue à própria sorte. *Este conto faz parte do livro Lendas Da Floresta, de Daniele Araujo. ©

O lamento da Ubume

  Mayumi era uma jovem mãe solteira que trabalhava duro como costureira e cozinheira para dar boa vida à sua filhinha, Lana. Mesmo passando por tantas dificuldades, Mayumi fazia o possível para ver sua filha contente. Ela sempre juntava algum dinheiro e comprova doces e tecidos para fazer roupas e bonecas de pano para dar de presente à Lana.
   Um dia, a garotinha cismou que queria um urso de pelúcia igual ao que vira com uma menina, enquanto fazia compras com sua mãe, na cidade. Mayumi prometeu à filha que faria um igual e cumpriu sua promessa. Lana ficou tão feliz que não desgrudou mais daquele ursinho.
    Uma vez, ela pediu à mãe que a deixasse ir brincar na floresta com suas coleguinhas. Mayumi não gostou da ideia e disse que era muito perigoso brincar na floresta, mas Lana insistiu tanto que sua mãe acabou lhe dando permissão para ir com suas amiguinhas até à floresta.
   Chegando na floresta, as meninas decidiram brincar de pique-esconde.
       Lana escondeu-se em cima de uma árvore que ficava à beira de um penhasco.
Mika seguiu uma trilha de pegadas até o local onde Lana estava escondida.
- Acho que tem alguém escondido por aqui. - Disse Mika sorrindo, animada, enquanto procurava.
    Mesmo, ela estando longe, Lana ficou nervosa, com medo de ser encontrada. E, por descuido, deixou seu ursinho cair.
- Não! - Disse Lana desesperada.
    Por sorte, o urso ficara preso entre alguns galhos, mais abaixo. Se Lana fosse esperta, poderia pegá-lo.
   Ela desceu e esticou o braço, inclinando seu corpo para frente, enquanto segurava o tronco da árvore com a outra mão.
   O ursinho ainda estava inalcançável, mas a menina não desistiu e se inclinou um pouco mais para frente.
- Te peguei! - Gritou Mika, agarrando o pé dela.
  Lana se assustou. Se desequilibrou e caiu...
Foi tão rápido que Mika não teve tempo de ajudá-la.
    Mika e Inna foram correndo até à casa de Mayumi, contar-lhe o lamentável ocorrido.
        Quando Mayumi viu as duas garotas à sua frente, chorando e muito assustadas, soube no mesmo instante que algo de ruim havia acontecido à sua filha.
- Mika? Inna? Onde está a minha Lana? O que aconteceu? - Mayumi se desesperou.
- Ela caiu... Do penhasco. - Disse Mika.
- Não! - Gritou Mayumi chorando e foi correndo até o penhasco.
    Chegando lá, tudo que Mayumi encontrou, além de uns galhos no chão, foi um par do chinelinho vermelho que Lana estava usando e seu ursinho.
- Não! Não! - Mayumi chorou, debruçada ao penhasco.
  ..............................................................................................................................................
     Algum tempo se passou, mas os dias de Mayumi nunca mais foram os mesmos. Ela perdeu a vontade de viver e passava horas sentada na cadeira de balanço, agarrada ao urso de pelúcia, esperando que sua filha voltasse correndo e a abraçasse. Ela sabia que isso era apenas uma fantasia sua, mas, mesmo assim, continuou esperando... Esperando e esperando... Ela esperou por dias, semanas, meses e anos. Até que, um dia, se cansou de esperar.
     Levantou-se da cadeira de balanço e foi até o penhasco. Admirou o pôr do sol pela última vez, antes de se jogar. Ela acreditava que a morte pudesse trazer um fim ao seu sofrimento, mas se enganou porque, mesmo depois de morta, ela continuou sofrendo, lamentando pela filha que perdera.
    Mayumi tornou-se um yokai, mais conhecida como Ubume, e seu espírito atormentado ainda procura por sua filha. E, na floresta, ela fez sua morada. Sempre que vê alguma criança que possa vir a substituir a sua filha, Ubume se vale de uma artimanha para atraí-la, deixa um brinquedo (quase sempre, o urso de sua filha), uma moeda dourada ou um doce.  
   Uma vez atraída, a criança tenta pegar o objeto que, por encanto, vai se distanciando cada vez mais da mesma. Sem perceber, a criança é atraída para uma armadilha. E, ao finalmente, alcançar o objeto desejado, cai do penhasco. Mas, se acaso, a criança perceber a tempo que está diante de um encanto, estará liberta do mesmo. E, pelos quatro cantos da floresta se ouvirá o triste lamento da Ubume. ©

Ao seu chamado



   Já era tarde da noite, mas a pequena Emma não conseguia dormir. Não que não estivesse com sono, mas estava muito assustada para fechar os olhos. 
   Caia uma tempestade horrível e a luz acabara.
Seus pais estavam dormindo e ela estava sozinha em seu quarto. Encolhida embaixo de seu cobertor. Fortemente agarrada à sua boneca de pano.
  Os barulhos dos trovões a assustavam, mas não tanto quanto a coisa que a observava pela janela. 
   Estava usando uma capa escura de capuz. E arranhava a janela de vidro, querendo entrar no quarto.

    Emma levantou-se. Fechando os olhos bem forte e caminhou em direção à janela.

- Isso, Emma... Venha para mim. Venha? - Dissera uma voz tão doce quanto à de uma fada, ou pelo menos, como Emma imaginava que deveria ser a voz de uma fada.

       Emma esticou os braços para se guiar em meio àquela escuridão... E quando sentiu suas mãos tocarem o vidro frio, puxou as cortinas. Abriu os olhos e voltou correndo para a cama.
    A coisa escalou as paredes e subiu em cima do telhado. Emma podia ouvi-la enquanto ela caminhava pelo telhado. 
    Os passos da coisa iam e vinham, como se ela procurasse por algo enquanto andava em círculos.
De repente, o barulho parou.
    A coisa passou pela janela do banheiro que não estava bem fechada e caminhou pela casa, rapidamente... Sua capa era tão grande que cobria seus pés. E ela parecia levitar ao invés de caminhar.
    A coisa procurava pelo quarto da garotinha, até que o encontrou.

    Emma viu a maçaneta girando e a porta de seu quarto abrindo-se lentamente, com um rangido. 
Apavorada, ela puxou a coberta, deixando apenas a parte acima de seus olhos à mostra. E viu a coisa se aproximando devagar. 
   Emma começou a chorar e quis gritar, mas era muda e não poderia. Então, abraçou sua boneca com mais força.
  
  A coisa chegou mais perto... Mais perto... Mais perto... E quando já estava perto o bastante, Emma pode ver alguns fios loiros de cabelos da coisa e seu rosto... Era tão branco quanto a neve. Seus olhos eram cor-de-rosa e seus lábios estavam molhados com um líquido vermelho, que Emma não teve dúvida, era sangue. Ela podia sentir o cheiro... 
    A coisa esticou a mão como se fosse tocá-la. Suas unhas eram enormes e também estavam manchadas com sangue.
   Emma cobriu toda a cabeça e apertou os olhos com força. Rezando para que quando os abrisse de novo, aquela criatura demoníaca já tivesse ido embora.
   Ela sentiu quando a coisa enfiou a mão embaixo de seu travesseiro, como se procurasse por algo.
     O tempo todo enquanto a coisa estivera por perto, Emma sentira um cheiro estranho de sangue e flores silvestres. Aquilo era enjoativo e quase a fizera vomitar.
    Ela sentiu o cheiro se afastando. Ouviu a porta se fechar com uma forte batida e depois, ela foi vencida pelo cansaço e finalmente adormeceu.

     Na manhã seguinte, quando acordou, Emma lembrou-se do que acontecera na noite anterior e sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. 
    Ouviu vozes alteradas e foi até à janela ver o que estava acontecendo. Lá fora, no jardim, seu pai cavava um buraco para enterrar o gato da família, que estava desfigurado e todo sujo de sangue.
    Emma se afastou da janela, assustada.
O que aquela criatura fizera a seu gato de estimação? Aliás, o que ela queria? Por que não machucara Emma? Foi quando ela lembrou-se de que a criatura estava procurando alguma coisa embaixo de seu travesseiro. 
Oh, não! Seria isso mesmo que Emma estava imaginando? 
   A menina voltou para a cama e ergueu seu travesseiro. Onde, antes, ela deixara um dente para a fada dos dentes, havia agora, uma bela moeda dourada, um pouco manchada de sangue.©

A amante das sombras


  Você acredita em vampiros?
Eu não acreditava...
Lia sobre eles, escrevia sobre eles e até mesmo, me deleitava com filmes sobre eles, mas , no fundo, não acreditava. Como poderiam tais criaturas como Drácula, Damon e Lestat existirem? Seria muito surreal, mas num dia, ou o melhor, numa noite, custei a pegar no sono. Pois estava muito calor. Me levantei e abri a janela. Então, voltei para a cama e fechei os olhos. Adormeci e tive um sonho muito estranho; uma bela mulher entrava pela janela e se aproximava de mim. Ela era mesmo muito bonita, com longos cabelos negros como a noite, olhos verdes e penetrantes. Usava um longo e antigo vestido branco. E sorria para mim, com um misto de doçura e malícia.
- Emilie.... - Ela sussurrou meu nome com uma voz suave e sedutora.
      Ela era tão bela e tão surreal, que eu fiquei hipnotizada. Não conseguia falar ou me mover. Sequer piscar. E, quanto mais ela se aproximava, mais eu queria que ela se aproximasse...
     Seus lábios molhados tocaram os meus...
Senti suas mãos frias percorrer meu corpo...
O desejo ou a fúria se acendeu em seu olhar. Ela me queria por inteiro.
    Seus beijos se tornaram mais desesperados, seu toque mais ansioso.
Era como se ela quisesse não apenas possuir o meu corpo, mas a minha alma.
    Por um breve momento, recobrei a lucidez e perguntei-me: "Meu Deus! O que é isso? O que estou fazendo? Isso não é certo".
     Ela pareceu adivinhar e me encarou com melancolia. Suspirou e sussurrou:
- Por favor? Só essa noite... Eu prometo. - Então, seus lábios beijaram os meus.
       Eu não pensei em mais nada. Me entreguei por completo a ela. Confesso que, até então, eu nunca havia sido tocada por ninguém. E aquilo foi mil vezes melhor do que eu poderia imaginar. Realmente, não encontro palavras para descrever a noite que jamais esquecerei.
 - Eu te amo... Sempre te amei e sempre te amarei, para sempre. - Ela sussurrou com melancolia, em meu ouvido e beijou meu pescoço.
     Na hora, não prestei muita a atenção aquelas palavras.... Ela falava como se me conhecesse... Mas, não me lembro de já tê-la visto antes dessa noite.
      Estava tão extasiada que queria que aquilo durasse para todo o sempre, mas para minha surpresa, senti como se duas agulhas perfurassem com força meu pescoço. Meu sangue escorreu. Eu gritei, com dor e observei-a se afastar com lágrimas nos olhos, enquanto se desculpava. 
     Me sentei, confusa. Com a mão no pescoço. Sem tirar os olhos dela.
- Eu juro que não queria, mas isso é mais forte que eu. Me perdoe? Me perdoe? - Ela disse angustiada.
- Você não é real! Não poder ser! Nada disso é! Tenho certeza de que estou sonhando! - Eu disse, apavorada.
- Eu sou real. Acredite em mim, por favor? Acredite em mim! Você tem de acreditar em mim! Precisa acreditar em mim, por favor? - Ela disse chorando.
      Eu acordei no mesmo instante. E mesmo, temendo a escuridão de meu quarto, levantei-me de minha cama e fechei a janela. Então, acendi a luz. Não voltei a dormir naquela noite, pois meu sonho fora tão real que fiquei na dúvida se realmente havia sonhado. 
      Olhei-me no espelho várias vezes naquela noite, só para ter certeza de que não encontraria nenhuma mordida em meu pescoço.
    Liguei meu computador e após algumas pesquisas, descobri que vampiros podiam vir em sonhos ou pesadelos como o que eu tivera. Lembrei-me de Carmilla... Um sonho erótico lésbico com certeza poderia ser forjado por uma vampira ou uma Sucubu. Então, não tive mais dúvidas; eu havia mesmo visto ou sonhado com uma vampira. Apesar de assustador, aquilo também era fascinante!
      Quantas pessoas tem a chance de ver ou sonhar com um vampiro... Um vampiro de verdade? Aposto que não muitos. Por isso, eu decidi que queria vê-la de novo. Vesti uma camisola preta sensual, me perfumei e dormi com a janela aberta. Me senti uma boba, confesso. Mas valeria a pena, se ela viesse. Infelizmente, ela não veio.
      Tentei me cortar e deixar um pouco de sangue na janela, mas nada aconteceu. Não tive um sinal dela. 
    Fiz aqueles rituais babacas que encontrei na internet para invocar vampiros, mas não senti nada. Não vi nada e não ouvi nada. 
     Resumindo: Tentei de tudo e nada aconteceu.
 Quando me dei por vencida e parei de tentar, algo aconteceu: Em uma noite, eu me deitei para dormir. Estava muito cansada, pois, tivera um dia e tanto! Ouvi uma voz feminina, suave e sedutora sussurrar meu nome.
     Levantei-me e encarei o lugar de onde a suposta voz viera, mas não havia nada de diferente ali. Talvez, eu estivesse imaginando coisas. Me deitei e adormeci. 
        No meio da noite, acordei sobressaltada ao ouvir um forte barulho no telhado. Era como se algo ou alguém tivesse caído ou sido atirado no telhado. Fui até à varanda. O cachorro estava agitado, latindo e saltando. Encarei a escuridão... Algo sinistro parecia me atrair para as sombras e em minha mente, eu podia ouvir uma voz me chamando... Se era minha imaginação ou não, não importava. Eu não enfrentaria meu medo para descobrir. Coloquei o cachorro para dentro e fechei a porta. Subi as escadas. Fui para meu quarto. Encostei a porta e após apagar a luz, voltei para minha cama. Fechei meus olhos e senti algo assustador; alguém se aproximava de mim. Mas eu não ousei abrir os olhos para ver quem era. Tive muito medo! 
    A coisa chegou mais perto... Mais perto... Cada vez mais perto.
Ouvi um sussurro:
- Emilie...
      Abri os olhos e a vi ali, parada bem ao meu lado, sorrindo.
Seu vestido branco manchado de sangue. Sangue que não era meu... E eu não me atrevi a perguntar de quem era, embora suspeitasse e confirmasse isso no dia seguinte ao encontrar o corpo estraçalhado de meu cãozinho de estimação.
       Quase todas as noites, ela vem me ver.
Não tenho mais medo dela, mas não quero ser como ela.
    Há muitas dela por aí, vagando na escuridão, só esperando encontrar uma porta ou uma janela aberta para entrar em seu quarto e dominar seu corpo, sua mente, seu coração e sua alma. Não acredita em mim? Então deixe a janela aberta essa noite e chame por ela. Ela ouvirá e tão logo virá. ©

Onde estão as flores?

 Tudo começou assim...


Em UMA BELA MANHÃ,
Ana acordou mais cedo. Calçou os seus sapatos. Vestiu sua roupa. Trajou o seu casaco porque estava um pouco frio, e foi até o quintal da casa, que era uma área enorme cheia de plantas e flores, era uma área segura para ela.
Os pais delas mandavam ela não ir no quintal sozinha pois havia um "lobo mau" lá, que iria a pegar a qualquer momento, o que para ela, nunca foi verdade, mas mesmo assim, ela fazia toda a mão de obra de acreditar nisso e falar "Uau!Que sinistro!Juro que não vou!".
Então, ela foi caminhando de planta á planta para fazer o que queria fazer lá, que era colher flores para preparar um lindo buquê para a sua mãe.
As flores do quintal eram lindas, algumas eram rosas, outras vermelhas, outras eram azuis e outras eram roxas.
Também tinha muitas árvores, pequenas, grandes, médias... tortas, retas...
O cheirinho do quintal era maravilhoso, tinha cheiro de mato misturado com o cheiro das flores, junto com a brisa da manhã.
Ana começou a agilizar o seu trabalho, ela não queria decepcionar a mãe, porque aquele dia, era o seu aniversário.
Ela colhia as flores rapidamente e colocava dentro da cesta que estava levando.
Algo que ela não percebeu até o momento é que quanto mais flores ela colhia, menos flores havia na cesta. 
Depois de colher muitas flores, e perceber que havia menos delas na cesta, a garota ficou com medo.
"Como assim? Não é possível que uma coisa dessas aconteça!", ela pensava.
Então, de passo a passo ela foi se aproximando de um grande buraco que até certos segundos atrás, não sabia da existência dele no quintal de casa.
Ela se aproximou e olhou para ele. No fundo dele, estavam o resto das flores que ela tinha pego á mãe.
Se sentindo feliz e realizada, a bela garota pulou no buraco para pegar as flores e fazer com que o buquê fique perfeito. 
Quando Ana escalou o buraco para subir, sentiu um ar diferente.
Quando ela alcançou o final do buraco, ela viu que não estava mais no quintal de sua casa, e sim em um lugar totalmente diferente, onde não havia o sol, onde não havia luz, apenas escuridão e cheirava muito mal. Um lugar onde moscas e insetos voavam em todas as partes e gargalhadas assombrosas vinham de dentro de árvores. 
Ana sentiu asas encostando em suas costas e ouviu uma voz bem fina e doce falando á ela que queria as flores.
Ana, muito assustada, pulou novamente no buraco para se esconder de tudo aquilo.
Com as flores nas mãos e com muita saudade da mãe, do pai e da família, adormeceu lá dentro.
Não se sabe o que aconteceu com Ana, mas ela adormeceu dentro do buraco por dois anos.
Os seus pais não sabiam o que fazer, e os dois passaram a viver uma vida triste onde apenas rezavam para encontrar sua filha de volta, e choravam o dia todo.
Em uma bela manhã, um pouco fria, sua mãe acordou mais cedo, era cinco horas da manhã, colocou seus sapatos, vestiu suas roupas, trajou uma jaqueta e foi até a sala, chorar. 
Ela ouviu outro choro, como se fosse de um bebê logo após acordar.
Comovida com a situação, foi procurar onde estava essa criança. O choro vinha do quintal.
Ela foi até lá e percebeu que o choro estava vindo diretamente daquele buraco.
Quando ela foi chegando mais perto, ela viu a sua filha jogada no buraco, dormindo um sono profundo. Ela, desesperada, começou a chorar ao ver que a filha estava naquela situação.
Então, uma lágrima da mãe caiu em cima do olho da filha que estava fechado, o que fez imediatamente, a garota acordar de seu sono e dar uma longa espreguiçada. 
A mãe ajudou a filha sair do buraco e as duas choraram e se emocionaram muito, deram um lindo abraço e se beijaram.
O pai, a mãe, a filha e a família toda ficaram felizes, emocionados e agradecidos por tudo, por terem encontrado Ana.
Não se sabe o que houve com Ana, apenas que ela encontrou um novo mundo, que ela não gostou nada de ver e que para sempre ficou em sua mente, a perturbando.

As flores já não estavam mais nas mãos de Ana quando ela acordou....   
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